Estratégia

Executivos e o Dilema do Plano de Saúde: Por que o 'Controle' é seu Maior Ativo

8 min de leitura
24 de dezembro de 2025

Executivos e o Dilema do Plano de Saúde: Por que o "Controle" é seu Maior Ativo

No meu papel como conselheira estratégica, costumo dizer que a gestão da nossa própria saúde é o projeto mais complexo da nossa carreira. Para o executivo de alto escalão, existe um risco silencioso que muitas vezes é ignorado até que seja tarde demais: a dependência total do "guarda-chuva" corporativo.

Muitos profissionais brilhantes dedicam décadas a grandes corporações, usufruindo de apólices de saúde premium, mas sem nunca deterem o controle sobre elas. O problema surge no momento da transição — seja por uma mudança de carreira, aposentadoria ou desligamento.

A Armadilha da Idade e da Aceitação

O mercado de saúde suplementar brasileiro possui regras rígidas de aceitação. Quando um executivo decide buscar uma apólice individual ou PME após os 50 ou 60 anos, ele se depara com dois obstáculos críticos:

  1. Dificuldade de Aceitação: Novas apólices para faixas etárias avançadas são raras e extremamente restritivas.
  2. Carências e Preexistências: Iniciar um novo contrato do zero pode significar enfrentar carências para doenças que você já monitora, algo que você não teria se estivesse sob um contrato de longo prazo sob seu controle.

Por que a "Negociação Focada" nem sempre basta

Mesmo que sua saída da empresa envolva a manutenção do plano (as famosas cláusulas de permanência dos artigos 30 e 31 da Lei 9.656), você ainda está atrelado às negociações daquela empresa. Se a corporação decidir mudar de operadora ou reduzir a qualidade da rede, você vai junto. Você é um passageiro, não o motorista.

O Valor do Plano de Saúde Individual (ou PME Controlado)

Ter uma apólice própria, contratada no momento certo da vida, garante:

  • Longevidade Contratual: O contrato é seu. Enquanto você pagar, a operadora não pode rescindir (salvo raras exceções legais em planos individuais).
  • Independência de Vínculo: Não importa onde você trabalha ou se decidiu tirar um ano sabático; sua segurança em saúde permanece intacta.
  • Gestão de Preexistências: Ao contratar cedo, você "limpa" carências enquanto é jovem e saudável, garantindo cobertura plena para quando realmente precisar.

Minha Visão como Advisor: O Momento do "Sim"

Como sua conselheira estratégica, meu conselho é claro: não espere o desligamento para pensar no seu plano de saúde.

É necessário avaliar, paralelamente ao plano da empresa, a viabilidade de manter uma apólice "âncora" sob seu controle. Isso é mitigação de risco puro. É garantir que, na hora de se desligar da operação para aproveitar a colheita de uma vida de trabalho, você não seja barrado na porta do sistema de saúde.

Reflexão para o Board

Se você é uma liderança hoje, como está planejando sua sucessão e seu futuro? A segurança da sua família depende de uma decisão de terceiros ou da sua estratégia pessoal?


Você já avaliou o risco de "desabrigo" em saúde na sua transição executiva? Vamos desenhar essa estratégia juntos. Me chame no Linkedin e vamos garantir que o seu controle sobre a vida seja completo.

Gostou do conteúdo? Compartilhe:

SB

Sabrina Barros

Dentista e Executiva de Saúde Suplementar. Atua na intersecção entre regulação, tecnologia e cuidado humano para transformar a saúde no Brasil.